Nova lei define responsabilidade do governo quanto ao ensino de japonês a estrangeiros

A lei visa também a melhora da qualidade do ensino do idioma, assim como o salário dos professores de língua japonesa

ensino de japonês
A Dieta aprovou nesta sexta-feira um projeto de lei estipulando pela primeira vez a responsabilidade dos governos central e municipal na promoção do ensino da língua japonesa para residentes estrangeiros após o Japão ter aberto a porta para mais trabalhadores estrangeiros em abril deste ano. A informação é da Kyodo News.

Os municípios que abrigam grandes comunidades estrangeiras há muito já vêm oferecendo educação linguística e outros apoios por conta própria, mas o governo central foi lento em sua resposta e criticado por sua falta de assistência.

Nos termos da legislação, o governo central é responsável pela execução de medidas abrangentes, incluindo a introdução de medidas legais e fiscais necessárias para garantir que os residentes estrangeiros de várias origens, desde estudantes a refugiados, recebam educação linguística de acordo com seus desejos e circunstâncias.

A lei pede que se melhore a qualidade da educação em várias instituições, pois se diz que ela varia muito, e também o salário dos professores de língua japonesa. Também pede aos empregadores de estrangeiros que forneçam educação linguística para eles e suas famílias.

Para chegar a políticas abrangentes, os ministérios da educação e do exterior, bem como outras agências governamentais, estabelecerão uma convenção a ser aconselhada por um painel de especialistas.

A legislação iniciada pelos legisladores foi compilada quando o Japão introduziu um novo sistema de vistos em abril para aceitar mais trabalhadores estrangeiros, um movimento que deve expandir ainda mais as comunidades estrangeiras no país.

O número de estrangeiros no Japão bateu o recorde de 2,73 milhões até o final do ano passado, 6,6% a mais que no ano anterior, de acordo com o Ministério da Justiça.

Sob o novo programa de vistos, o governo espera até cerca de 345.000 trabalhadores estrangeiros nos 14 setores mais necessitados, como hospedagem, cuidados de enfermagem, construção e agricultura nos próximos cinco anos.

As pessoas que têm ajudado a fornecer educação em língua japonesa a residentes estrangeiros, na ausência de uma política estatal abrangente, saudaram a decisão e expressaram esperança de que isso traga mudanças.

“Estou satisfeito em saber que as responsabilidades dos governos central e municipal estão estipuladas”, disse Yuko Kitagawa, representante de 69 anos de um grupo de estudo de língua japonesa em Noshiro, na província de Akita.

O grupo ensina japonês na cidade há mais de 20 anos a um grupo de pessoas, incluindo mulheres estrangeiras que vieram para o Japão e se casaram com homens japoneses e aos seus filhos.

Kitagawa disse que o grupo, que atualmente ensina a língua a 40 pessoas, muitas vezes trabalhou com autoridades municipais, mas houve momentos em que ela duvidou da seriedade destas em ajudar a integração de estrangeiros, alguns dos quais falharam em transmitir seus conhecimentos e experiências para seus sucessores.

“Apenas criar uma lei não é suficiente. Os governos devem trabalhar seriamente nisso”, disse Kitagawa, acrescentando que espera que a nova lei ajude os estrangeiros a adquirir habilidades linguísticas onde quer que estejam no país.

O Japão deve atingir a meta de aceitar 300 mil estudantes estrangeiros até 2020, com o número chegando a 298.980 em 2018, mas críticos disseram que o país não tem um sistema para garantir a qualidade do ensino de língua japonesa.

No início deste mês, descobriu-se que a Universidade de Bem-Estar Social de Tóquio havia perdido contato com mais de 1.600 estudantes do exterior, com parte deles excedendo o prazo do visto.

O ministério da educação e o departamento de imigração também descobriram que a universidade tinha poucos funcionários e não dava apoio aos alunos que haviam faltado às aulas por um período prolongado.

Espera-se que tais problemas sejam resolvidos sob a nova lei, que adicionalmente exige a formação de professores e a criação de sistemas de avaliação adequados para suas habilidades de ensino, bem como a proficiência linguística de seus alunos.
Fonte: Alternativa

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