Ministério da Justiça diz que vai acelerar definição de regras sobre visto para yonsei

yonsei visa

“O Ministério da Justiça está compondo as regras para entrada dos yonseis, empenhando-se para atender ao pedido formulado pelo primeiro-ministro Shinzo Abe, no sentido de conferir atenção especial (mais detida) aos descendentes da quarta geração”, disse Yoshihiro Umehara, diretor adjunto do Setor de Imigração do Japão, em entrevista exclusiva à jornalista Silvia Kikuchi, do Ponto Alternativa.

Frente às controvérsias de que seriam impostas barreiras bastante restritivas, ele fez questão de enfatizar que o órgão pretende se fundamentar no discurso de Abe, que manifestou desejo de corresponder aos anseios dos yonseis, não só por laços consanguíneos, mas também pelo relevante papel que eles desempenharão no aprofundamento das relações com os países sul-americanos, onde a comunidade nikkei é grande.

“Por isso, apesar de tomar o working holiday como referência, a nova medida estará em um patamar acima”, disse Umehara, advertindo, porém, que nada ainda está definido, inclusive o número de yonseis que o Japão pretende receber. “Estamos analisando as consequências decorrentes de um ingresso maciço, por isso ainda não fechamos consenso sobre o limite adequado”, observou.

Quanto à duração do visto de permanência, Umehara explicou que o órgão estuda qual tempo seria compatível com a expectativa e o propósito almejado: o desta geração se tornar um importante elo de ligação com os países, com os quais o Japão vem mantendo estreitos laços, tendo em conta a considerável presença nikkei.

A restrição de idade também vem sendo estudada, podendo tomar como base o working holiday. Quanto à permissão de levar o cônjuge, a questão está sendo abordada em conjunto com o tempo de duração do visto. Na visão do diretor, as definições serão feitas de forma intrínseca e dentro de uma concepção de conjunto.

Ainda está em discussão se haverá exigência de nível de japonês antes do ingresso ao país. Apesar de não esclarecer qual o prazo para entrar em vigência, Umehara garantiu que pretende acelerar a conclusão do projeto. Afirmou ter conhecimento da repercussão da notícia nos países da América do Sul de onde o órgão vem recebendo informações.

Postura do Bunkyo
Ressaltando que nada está sacramentado, uma das signatárias do pedido de visto para os yonseis, a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa, o Bunkyo, de São Paulo, se posiciona a favor da liberação do visto para o cônjuge, já que foi considerada a possibilidade de permanência de mais de um ano.

“Experiências anteriores servem como bom argumento”, alerta a presidente do Bunkyo, Harumi Arashiro Goya (foto abaixo). Segundo ela, o distanciamento dos membros familiares poderá ocasionar variados e graves desajustes psicológicos e sociais. Se o limite de idade for de até 30 anos, conclui-se que os filhos sejam menores de idade.

Por outro lado, ela argumenta que o conhecimento básico da língua japonesa é imprescindível não só para adaptação à sociedade local como para o desempenho adequado no trabalho. Segundo ela, nas primeiras décadas, o desconhecimento do idioma acarretou falhas de comunicação nas linhas de produção e vários distúrbios psicológicos.

Para ela, os yonseis interessados em trabalhar no Japão devem se conscientizar da necessidade de uma preparação adequada como forma de minorar os problemas de adaptação à sociedade local e ao trabalho. Cursos de japonês não faltam no Brasil.

Para ela, a concessão do visto aos yonseis é uma reivindicação legítima dos nipo-brasileiros. Porém, essa questão envolve uma gama complexa de interesses. “Espero que os trabalhadores não se transformem em meros instrumentos de interesses econômicos de grupos de ambos os países”, considera.

Harumi Goya acha que os yonseis poderiam reivindicar maior flexibilidade na questão da idade e cota. “Por outro lado, é preciso também tirar lições advindas da crise Lehman, quando muitos decasséguis regressaram em situação deplorável”, recomenda. “É preciso levar em conta a capacidade de absorção do mercado de trabalho”, aconselha.

Segundo ela, o deputado Mikio Shimoji veio ao Brasil preocupado em conhecer melhor a realidade dos brasileiros interessados em trabalhar no Japão e checar “in loco” a viabilidade de uma entidade ou empresa que possa atuar como coordenadora desses “estudantes/trabalhadores” yonseis no Brasil e Japão.
Fonte: Alternativa

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